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Mulheres serão maioria na medicina até 2030

Mesmo não existindo políticas de incentivo exclusivas para mulheres, elas estão conquistando seus espaços

A partir de 2024, a maioria da especialidade médica será de mulheres jovens. É o que revela os dados divulgados pela Demografia Médica no Brasil 2023. Hoje, 562.229 médicos estão inscritos nos 27 CRMs (Conselhos Regionais de Medicina), e estudo indica que, até 2035, o país terá mais de um milhão de médicos em atividade.

“O estudo já indicava nas edições anteriores que haveria uma proporção maior de mulheres na medicina. Mesmo não existindo políticas de incentivo exclusivas para mulheres, elas estão conquistando seus espaços em uma das áreas mais concorridas do país, demonstrando suas competências”, disse Júlia De Castilho Lázaro, fundadora da MitFokus, empresa especializada em gestão financeira para empresas da área de saúde.

Júlia De Castilho Lázaro, fundadora da MitFokus

A pesquisa aponta que em 2009 existiam aproximadamente 133 mil médicas no país, ao passo que em 2022 já somavam 260 mil, quase o dobro em 13 anos.

Já o número de médicos cresceu 43%, índice inferior ao do gênero feminino. A projeção indica, ainda, que, entre 2023 e 2035, o crescimento previsto entre as médicas será cerca de 118%, enquanto, entre os homens, será de 62%.

O estudo mostra que até 2035, 85% dos médicos e médicas do país terão entre 22 e 45 anos de idade. Desses, 70% das mulheres terão até 40 anos, enquanto 60% dos homens terão essa faixa de idade. Isso imprime uma realidade de que teremos um quadro de jovens mulheres à frente da saúde dos brasileiros.

Evolução ao longo das décadas

A presença feminina na carreira médica começa a crescer ao longo do último século. De acordo com o relatório, em 1910 eram 77,7% homens e 22,3% mulheres. A presença masculina se amplia até 1960, quando chega a 87%, e as mulheres se limitam a 13%. A partir dos anos 1980, as mulheres ampliam sua participação e passam de 23,5% para 46,6%, em 2020.

Desigualdade de distribuição

Independente da proporção de gênero na medicina, tudo indica que a desigualdade entre médicos alocados pelo país continuará sendo um imbróglio na saúde pública do país.

O desequilíbrio geográfico de médicos é um problema mundial. No Brasil, em específico, a escassez se concentra especialmente nas cidades distantes dos grandes centros urbanos e nas periferias, notadamente nas regiões Norte e Nordeste.

Os estados da região Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), região Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo), Nordeste (Paraíba), além do Distrito Federal, terão mais médicos por mil habitantes do que a taxa mundial. Esses estados concentrarão mais de 70% do total de médicos do país.

Por outro lado, os estados da região Norte (Amapá, Roraima, Amazonas, Acre e Pará) e Nordeste (Maranhão) deverão ter as menores densidades, abaixo da metade da taxa nacional. Nessas regiões estarão pouco menos de 5% dos médicos.

O que vem chamando atenção dos gestores em saúde, conforme diz o relatório, são os vazios assistenciais (não suprir as principais necessidades de saúde da população), áreas desassistidas ou desertos médicos – que configura o fato dos médicos passarem muito tempo em deslocamento, até mesmo horas, para chegar ao trabalho.

“Essa desigualdade regional acende uma luz sobre a necessidade urgente de políticas públicas que ajudem a minimizar o déficit dos profissionais e equipes de saúde em áreas tão desprovidas de assistência”, reforça Júlia. Para saber mais, acesse o documento completo aqui.

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